—Você é surdo?

—Não, respondeu Innocencia. Tico ás vezes, por manha é que se faz ansim de mouco.

Voltando-se então para o homunculo, insistiu com voz meiga e carinhosa:

—Vai Tico; é para mim, ouviu?

Transformou-se repentinamente a physionomia do anão. Pairou-lhe nos labios ineffavel sorriso, meneou a cabeça duas ou tres vezes com a força de uma affirmação mas, colerico, enrugou a testa e moveu olhos inquietos e duvidosos.

Innocencia teve que repetir o recado.

—Já lhe disse, Tico: vai buscar o café.

A esta quasi ordem não ousou elle resistir mas sahiu devagarsinho, voltando-se várias vezes antes de entrar na cozinha, onde muito pouco se demorou.

Neste entrementes tomara Cyrino o pulso de Innocencia e, sem pensar no que fazia, quebrando a debil resistencia da menina, cobrira-lhe de beijos o braço e a mãosinha que havia segurado.

—Meu Deus! balbuciou ella, que é isto?... Olhe ahi vem o Tico.