Sorriu-se Pereira com riso amarello e replicou, apertando os punhos de raiva:
—Mochú sabe ... isto são costumes cá da terra. As mulheres não são feitas para...
—Para que? perguntou Meyer com pausa.
—Para prosearem com qualquer um...
—Que é prosearem?
—É conversar, dar de lingua, explicou Cyrino.
—Obrigado, doutor, retorquiu Meyer, agradecendo mais aquella indicação philologica que foi immediatamente enriquecer o seu caderno de notas. Prosear é conversar. Muito bem!... Pois é pena, Sr. Pereira, porque sua filha é uma bonita senhora!
—Nesta arapuca não caio eu, seu tratante... Hei-de toda a vida andar com o olho em ti, murmurava o mineiro.
—É pena, confirmava Meyer duas e tres vezes ... é pena...
Por certo não era esta a linguagem mais propria para desvanecer as prevenções e receios de Pereira; ao envez, mais e mais recrescia a sua vigilancia sobre Meyer, o que proporcionava ao verdadeiro culpado a liberdade de que carecia para tornar a ver o mal-guardado thesouro.