Acolheu-o Pereira com verdadeira explosão de alegria.
—Viva! viva! exclamou de longe acenando com os braços, seja bemvindo neste rancho... Ora, até que afinal!... Faltam rojões para festejar a sua chegada... Que demora!... Pensei que não topava mais com o caminho da casa... Nocencia vae pular de contente...
Emquanto o mineiro enfiava estas palavras quasi em gritos, apeou-se o sertanista que, de chapéu na mão, veiu pedir-lhe a benção.
—Deus o faça um santo, disse Pereira abençoando-o com fervor. Você não queria chegar...
—Como vae a dona? perguntou Manecão.
—Agora, muito bem. Teve sezões; mas já está de toda boa...
—E lembrou-se de mim?
—Olhe, que enjoado!... Pois se elle enfeitiça a gente... Eu mesmo só pensava em você... Quando estará por cá aquelle marreco? dizia eu commigo mesmo ... e botava uns olhos compridos por essa estrada a fora ... quando mais, mulher! Isto é um não acabar nunca de saudades. Mas, observou elle, estamos a bater lingua e não o faço entrar... Agorinha mesmo, Nocencia foi para o corrego... Desensilhe o pingo e deixe-o por ahi...
Fez Manecão o que disse Pereira. Tirou os arreios, não de subito, mas com cautela e lentidão para que o animal, encalmado como estava, não ficasse airado: deixou sobre o lombo a manta e, apanhando um sabugo de milho, esfregou de vagar a anca e o pescoço.
Depois de dar termo áquelles cuidados, penetrou na casa fazendo soar ruidosamente as esporas, que pelas dimensões desproporcionadas o obrigavam a caminhar firmado nos dedos do pé e com a planta levantada.