—Porque é que estamos a dar de lingua nesse particular? Não sou amigo disso. Quer-me parecer que mecê é um tanto namorador...

—Eu? protestou Cyrino com vivacidade.

—Boa duvida. Eu cá nem falar nellas quero. Mulher é para viver muito quietinha perto do tear, tratar dos filhos e creal-os no temor de Deus; não é nem para parolar-se com ella, nem a respeito della.

Sempre as mesmas theorias de Pereira: a mesma grosseria repassada de desprezo ao sexo fraco, a mesma susceptibilidade para desconfiar de qualquer pessoa ou de qualquer palavra que lhes parecesse menos bem soante aos prevenidos ouvidos.

—Minha afilhada, continuou Cesario, deve levantar as mãos para o céu. Achou um marido que a hade fazer feliz e tornal-a mãe de uma boa duzia de filhos.

Estremeceu Cyrino, mas nada disse.

Por toda a parte esbarrava de encontro a preconceitos que nada podia vencer.

Nessa mesma tarde quiz montar a cavallo e voltar para Sant'Anna; entretanto, o pensamento da resistencia com que Innocencia encetara a terrivel lucta com seu pae, actuou em seu espirito e o reteve.

Decidiu-se a atacar o touro pelas aspas.

Restar-lhe-ia ao menos o consolo do desabafo, e num jogo perdido arriscava ainda ousado lance.