Quem sabe[32] uma hora?

—Boa duvida, se não mais. Fiquei todo esse tempo ao lado de Nocencia, que de frio batia o queixo, como se estivesse agora em Ouro-Preto, quando cahe geada na rua.

—Então não vae melhor?

—Qual!... Depois que o Sr. tiver comido, ha-de ir vel-a. Está, pobresinha, tão desfeita que parece doente de uns tres mezes atraz.

—Felizmente, observou Cyrino com alguma enfatuação, aqui estou eu para pôl-a de pé em pouco tempo.

—Deus o ouça, disse Pereira com verdadeira uncção.

—Patricios! Ó gente! gritou elle em seguida para os dois camaradas chegados de pouco, vão mecês sentar naquelle rancho, alli. Perto ha boa agua, e lenha é o que não falta: basta estender o braço. Olhem dêm ração de fartar aos animaes. Aproveitem o milho, emquanto ha: é a sustancia desses bichos. Aqui, vendo-o baratinho. Um atilho[33] por um cobre[34] e não são espigas chochas, nem de grão soboró[35]. Eh! lá! Maria Conga, vamos com isso!... janta a mesa!...

Foram o chamado e as indicações de Pereira cumpridas sem demora.

Appareceu a velha escrava, que estendeu em larga e mal aplainada mesa uma toalha de algodão, grosseira mas muito alva, sobre a qual derramou duas boas cuias de farinha de milho: depois, emborcou um prato fundo de louça azul, e ao lado collocou uma colher e um garfo de metal.

—Sente-se, doutor, disse Pereira para Cyrino, agora não manduco com mecê, porque já petisquei lá dentro. Desculpe se não achar a comida do seu agrado.