—Doutor, disse o mineiro, pode agora mecê entrar para ver a pequena. Está com o pulso que nem um fio, mas não tem febre de qualidade nenhuma.

—Assim é bem melhor[40], respondeu Cyrino.

E, arranjando precipitadamente o que havia tirado da canastra, fechou-a e pôz-se de pé.

Antes de sahir da sala, deteve Pereira o hospede com ar de quem precisava tocar em assumpto de gravidade e ao mesmo tempo de difficil explicação.

Afinal começou meio hesitante:

—Sr. Cyrino, eu cá sou homem muito bom de genio, muito amigo de todos, muito accommodado e que tenho o coração perto da boca, como vosmecê deve ter visto.

—Por certo, concordou o outro.

—Pois bem, mas ... tenho um grande defeito; sou muito desconfiado. Vae o doutor entrar no interior da minha casa e ... deve portar-se como...

—Oh, Sr. Pereira! atalhou Cyrino com animação, mas sem grande estranheza, pois conhecia o zelo com que os homens do sertão guardam da vista dos profanos os seus aposentos domesticos, posso gabar-me de ter sido recebido no seio de muita familia honesta e sei proceder como devo.

Expandiu-se um tanto o rosto do mineiro.