—Este Mochú, disse, vem de muito longe só por causa destas historias de barboletas, e com o negocio ganha côco grosso... Quanto a mim...
—Júque, atalhou Meyer com fleuma, vai bota os animaes no pasto.
—Não, disse Pereira, solte-os no terreiro até raiar o dia; roerão o que acharem; ha por ahi muito resto de milho nos sabugos...
—Pois é o que fiz, declarou o camarada; mas como lhes dizia, sou carioca do Rio de Janeiro, chamo-me José Pinho e venho de bem longe acompanhando este allamão, que é um homem muito de bem.
—É verdade? indagou Pereira, olhando para Meyer.
Este esbugalhou mais os olhos e confirmou tudo com um sim guttural que echoou em toda a sala.
—Elle o que tem, continuou José é que é muito teimoso. Eu lhe digo sempre: Mochú, isto de viajar de noite é uma tolice e uma canseira á tôa... Qual! pensa lá no seu bestunto que assim é melhor. Tambem a gente anda por estas estradas fóra como se fosse alma do outro mundo a penar ... algum currupira ... ou boitatá... Cruzes!
—Pois, Sr. Maia, disse Pereira, tome posse desta sala, e faça de conta que é sua... Se quizer uma rede...
—Muito obrigado, muito obrigado! ... minha cama é canastra. Não se incommode...
—Amanhã então conversaremos, concluiu Pereira esfregando as mãos de contente.