Deu José meia duzia de muchochos abafados e foi embora, praguejando entre dentes.

Novamente suppoz Meyer dever desculpal-o.

—Bom homem, disse, bom homem ... porem fala terrivelmente!

—Mas agora me conte, perguntou Pereira com ar de quem queria certificar-se de cousa posta muito em duvida, deveras o senhor anda palmeando estes sertões para fisgar anicetos?

—Pois não, respondeu Meyer com algum enthusiasmo, na minha terra valem muito dinheiro para estudos, musêos e collecções. Estou viajando por conta de meu governo, e já mandei bastantes caixas todas cheias... É muito precioso!

—Ora, vejam só, exclamou Pereira. Quem havéra de dizer que até com isso se póde bichar! Cruz! Um homem destes, um doutor, andar correndo atraz de vagalumes e voadores do matto, como menino ás voltas com cigarras! Muito se aprende neste mundo! E quer o senhor saber uma coisa? Si eu não tivesse familia, era capaz de ir com vosmecê por esses fundões afóra, por que sempre gostei de lidar com pessoas de qualidade e instrucção... Eu sou assim... Quem me conhece, bem sabe... Homem de repentes... Vem-me cá uma idéa muito estrambotica ás vezes, mas embirro e acabou-se; porque, se ha alguem esturrado e teimoso, é este seu criado... Quando empaco, empaco de uma boa vez... Fosse no tempo de solteiro, e eu me botava com o senhor a catar toda essa bicharada dos sertões. Era capaz de ir dar com os ossos lá na sua terra... Não me olhe pasmado, não... Isso lá eu era... Nem que tivesse de passar canseiras como ninguem... O caso era metter-se-me a tenção nos cascos... Dito e feito; acabou-se... Fossem buscar o remedio onde quizessem ... mas duvido que o achassem.

—Como vae a doente? perguntou distrahidamente Cyrino cortando aquella catadupa de palavras.

—Ora estou muito contente. Já tomou nova dose, e parece quasi boa. Está com outra feição. O senhor fez um milagre...

—Abaixo de Deus e da Virgem purissima, concordou Cyrino com toda a modestia.

—O sr. não cura? perguntou Pereira a Meyer.