A segunda, e mais notavel das duas figuras, é aquella que o Artista designa na folha-cartaz da monographia por—essa mulher de negro!
«É, segundo informa, quasi velha, com um vestido negro e uma gollilha bordada, em grandes bicos. Sobre as orelhas ha já cabellos brancos, tem a pallidez macerada duma santa, as mãos reaes, queixo voluntario... Emtanto essa rigidez guarda uma[{107}] boca pura de creança, e sae dessa magua, uma obra prima de martyrio.»
«Tóco, narra, por fim, as mãos do agonisante, um marmore molhado. Está a amanhecer lá fóra, e os cinzentos azues dessa madrugada de inverno entram no quarto, com albescencias funeraes que me espantam. Pelas quatro horas Pratas que lhe sustinha o pulso, dá de repente um grito: é o momento: e o velho erguendo-se, em vez de correr ao filho morto, é contra nós que parece crescer, rigidamente...»
Eis o final do drama!
Mas quem é aquella mulher de negro?
Eis o que mal nos diz. O que della se sabe é unicamente que fôra uma rara figura de dedicação, envelhecendo no sonho de ser noiva do bohemio, que lhe escrevia, e elle amara vagamente...
De momento, aponta-a o Artista como um regelo de amor, acaso um symbolo[{108}] assomado ali ainda por enscenar as ultimas horas do bohemio.
Derivando, no exame das suas obras primas, ás paginas que, dentre as citadas, maior contraste offerecem com aquella monographia, encontramo-nos com o seu admiravel conto,—o Anão.
Este demonstra, alem de tudo, de par da mais frisante extravagancia imaginativa, o seu grande poder caricatural.
Trata-se duma ligeira farça que o auctor compõe, mais que dos personagens, das suas situações.