Finalmente, é deste poiso extranho que os valles proximos escutam e repetem os dizeres dos que ahi falam.
Condições de acustica desconhecidas põem no espaço trios de arremêdo!
Tal a descripção da Villa-Feia, conforme um inedito de Nuno de Villar, III.º conde de Nevogilde e ultimo representante do Templario.
Era ahi que o escriptor villegiava quando a Cidade o aborrecia, ou sentia necessidade de dar asas á sua erudição e Arte. Ahi escreveu Os Sensuaes, o melhor dos seus livros, e varios capitulos da Vida Plastica, opusculos criticos, afora artigos. Dava-se bem com a paisagem que o cercava, e, sorria, benevolo, sempre que perguntava e ouvia a historia do Templario. Os camponeses interrogados é que o não indulgenciavam pela transigencia com o execrado cavalleiro. E, á puridade, aventavam suspeitas:
—Que o representante de D. Alvaro parecia seguir-lhe as pisadas; que não era facil fugir ás leis do sangue; que na Villa-Feia tudo se deformava, os homens como as arvores...
E discutiam as figuras que pernoitavam no velho casarão senhorial.
Maria Peregrina tinha dito a Nuno que ia ser hospeda delle, quando este falou em ir para Entre-os-Rios.
Nuno, cortês, agradeceu a visita e acceitou-a. Intimamente aborreceu-a.
Convidára o Vagabundo para o acompanhar. Queria mostrar-lhe aquellas sombras. Não sabia porque impressionava-o bem a convivencia daquelle desequilibrado, que alternava com elle grossarias e carinhos, que ora o abordava com humildades de rafeiro, ora o perseguia, desdenhando da sua Arte e nobreza, dos seus privilegios de singular.
Maria Peregrina era a mulher absorvente que, apesar de tudo, receava, com quem não queria intimidades.