Era assim... Claro que tambem Peregrina era uma doente; mas por isso mesmo lhe não perdoaria. Demais, o seu horror por ella ferir-lhe-ia o amor proprio.

—A doença odeia a doença. O que nós procuramos nos outros são as qualidades que não temos, pensava Nuno.

Por isso elle era um forte, entre uma seara de mulheres, castanholando modas e vendendo alegrias.

Mas, na Villa-Feia, com Maria Peregrina a trocar beijos e impressões de Arte—que horror!

E era fatal a sua ida. Equivoca situação! Já tinha percebido que ella o desejava.

Por sua vez Peregrina, enthusiasmada, nem parecia a mesma.

—Tu lembras a antiga alumna de Petersfield, dizia Violet.

E vendo-a cuidadosa com as toilettes:

—Já percebi, vaes noivar...

—Talvez, disse Maria Peregrina, rindo; não sei. Os programmas nunca antecipam muito os meus desvarios. Geralmente vicío sem elles. A surpresa é, afinal, o melhor da vida. Irei ver como as arvores da Villa-Feia me recebem. Corre que o antigo Paço tem a fortuna de afeiar o que é bello e engrandecer o que é humilde...