José de Andrada recolheu á cama myelitico, dias depois da sahida da Artista.
Violet, á vontade, senhora da casa, deu-se a receber aos sabbados a velha collecção de hospedes, e mais assiduamente Manuel Brito de Miraz, da Folha da Noite, continuador do publicista das Horas Tôrpes. Em breve tempo se entenderam intimamente, o chronista e a inglesa. A fatalidade fez amante de Violet o mais crapuloso do bando que passeava os salões de Maria Peregrina. Horas tardas, se o chronista não apparecia, sahia ella a visitar os bairros suspeitos, trocando-o por fadistas.
Um dia chegou Peregrina, sem prevenir.
Violet correu a abraçá-la, e a saber da villegiatura em Villa-Feia. Achava Peregrina cansada, mas alegre.
—Então, muito conciliada com o sexo feio? perguntou. Era certo que Nuno podia excluir-se da designação do seu sexo—pois que não era feio; e ria para a Artista, que a ouvia serena.
—É verdade, disse por fim, estive bem.
Nuno resume hoje para mim tudo! E eu a correr mundo á procura de alguem. Achei, sabes? A minha selvajaria amedronta-o, perturba-o; é um animalsinho, lindo de formas e docilidades, a submeter-se-me, a gostar dolorosamente os meus maus tratos, porque o maltrato, e a entregar-me, assustado, o corpo de raça, que veste naquellas horas uma alma de mulher e de lacaio. Ah! sei, afinal, o que é o amor...
Mas não sei porque lembro-me de que não pode durar a nossa felicidade... E por cá?
—O peor, informou a inglesa. Salomé foi quasi logo depois da tua partida para o Minho a tratar de negocios que me pareceram pretexto para sahir.
O monsenhor está no quarto, impossibilitado de andar, inutilizado por toda a vida, segundo o medico.