[XIII]
—Quem é? perguntou a Poetisa, ouvindo a porta do gabinete, e suspendendo a escripta duma folha de papel que levava em meio. Não recebo a esta hora.
—Está lá fóra, informou Jacob, o sr. Miraz que pede para entrar; promette demorar pouco.
—Bem, disse Peregrina, aborrecida, manda subir.
Miraz chegou, muito desmanchado, cumprimentou, abrindo a boca num riso enigmatico e sujo, e sentou-se, cruzando as pernas.
—Que deseja? perguntou ella.
—Venho propor a V. Ex.ª um negocio.
É um negocio que não deve parecer-lhe pesado. Entro nelle sem rodeios, pois que V. Ex.ª conhece o mundo, sabe o que é a vida.
Quando a necessidade entra pela porta, diz o proloquio, sae a virtude pela janella. Eu creio que nunca tive virtude para baldear da janella. O que tenho são miserias.
Mas estou de posse dum manuscripto que vale dinheiro. E digo que vale, pois que fui ver por quanto um editor o pagava. Offereceu-me vinte libras. Para editor é bastante; mas para V. Ex.ª vale mais.