Ahi tens a razão da minha solidariedade com as revoluções. Sou affim de todos os que odeiam!

Ha pouco discorrias suspeitas sobre as minhas fraquezas. Exquisitos reparos! Que direitos podes arrogar-te para discutir-me? Convenho que repugne a tua Arte a minha predilecção pela Belleza humilde, que me discutas como artista... Mas aventar alto suspeitas, a generalização das minhas miserias! Nego-te esse direito!

Em todo o caso, quero dizer-te que, no momento, curo, sobretudo, de vingar principios, e, no numero das liberdades que batalho, entra a liberdade do Vicio. É a prevenção do doente, que não sabe bem onde os nervos, a educação e as taras podem arrastá-lo...

Adeus, Nuno!

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No dia seguinte, passeava Nevogilde no gabinete de trabalho.

Parou por momentos deante de um contador, e esteve a afagar um gomil esguio e depois as curvas puras de dois boiões, pó-de-pedra, esmaltados de flores de linho. Volveu a passear a diagonal da sala, e foi junto da secretária premir o botão da campainha.

Veiu um creado.

—Ainda não chegou o mordomo? perguntou.

—Veiu ha instantes.