—És a fatalidade! disse Peregrina, correndo a abrir o Mirante. Não podias faltar ao ultimo acto da minha vida.

És a imagem do monstro que fui tanta vez!

A nossa distincção está em que eu puz a indifferença onde lançaste o odio.

Vejo entre nós o corpo branco de Edgar, tatuado de fios roxo-lirio. Vejo-o, tão lindo! Elle perdoou-me, o Destino é que não...

E, rapida, num passo incerto, sahiu do Mirante, desceu pela azinhaga guardada de louros que lhe embaraçavam o vestido côr de pervinca, e caminhou ao longo da estrada de Buarcos, que se desdobrava em fita pelo Cabo, listrando a noite.

Parou; ia errada.

Voltou-se; lá estava o pharolim do Forte.

Era ali que o morto quedava, dissera Jacob. Até lhe parecia ouvi-lo, de longe, a chamá-la! Estugou o passo; tinha pressa de vê-lo, de senti-lo.

Desceu á praia; correu sobre a areia côr de zinco, pintada do luar.

A distancia seguia Jacob, como uma sombra.