Evolui com os nervos, a educação, o temperamento. Descubro-me a todos os symbolos, pois que tenho para mim que elles se fundem num Deus de Belleza que começa a surgir, dentre a confusão, aos poetas, aos artistas.
Creio no Deus de todos os cultos, embora aborreça a liturgia que o occulta. A alma deu-me um cerimonial differente. No fundo, um cerimonial de amor, ineffavel...
Alei-me em vicio. Ia comprar quartos de hora daquelle amor ás ruelas onde se vende o Nu, o contacto, onde a intelligencia e o genio da Carne se expandem na belleza fresca da adolescencia.
Sou um firmamento de perversão.
Os meus vicios estrellam fatalidade,—caminhos de luz pela treva azul...
Luz intima, discorrendo fados de amargura e magia. Duros fados! Excedi a Nana, a Manon, a propria Sapho,—todas as mulheres sagradas pela Desgraça!
Fui o genio da Luxuria, parabolando amores...
A sociedade escorraçou-me. Quando o meu talento brilhava, ella, de mãos nos olhos, ia vingando a luz que eu derramava, pregoando as abominações a que me entregava.
Perversos e estupidos, ouvi:
—Tenho a consciencia de que a vida sensual que tenho reflectido é uma derivação fatal e religiosa dum poder occulto que me tem dominado e impellido.