Assim tambem no desenrolar de intimas paixões.
Não sei se poderia recuar, remeter-me ao vulgar, entregando-me á Moral, como a sociedade a pratica. Creio que não. Mas quando pudesse fazê-lo, não o faria.
E ahi está neste mesmo juizo um traço de tutela extranha, pois que a sensualidade como a Arte que pratiquei só serviram a marcar-me de relapsa, emparedando-me! Sou para toda a gente a desprezivel Sapho, alma e corpo de monturo. E isto porque não acceitei o phalansterio commum, e pratiquei o amor lesbico.
Ora a sociedade não quiz receber-me assim.
Logicamente, o publico condemnou as minhas obras.
Tinha a obrigação de dar talento que não excedesse o estalão perro da sociedade em que vivia!
O meu prejuizo para o grande numero foi mostrar-me toda, dar-me a ler a uma sociedade inferior. Entornei a alma nas paginas que teci dolorosamente, sensualmente.
O publico não sentiu essas paginas, nem sequer as percebeu. Peor para mim como mulher; mas ascendi como Artista.
Este desacordo é a nossa differença em elogio da minha sensibilidade, posta á prova em todos os sentidos.
É grande esta differença?