Segundo a Physiologia pondera no homem a razão, na mulher o sentimento, na creança o sentido.
E é isto verdade no que importa á apreciação do typo medio.
Como é um facto, que é a edade de transição—a da vida adolescente—a que põe maior acuidade e interesse no mesmo typo,—o typo medio.
Sou a mulher superior. Por isso mesmo o temperamento me não demarcou fronteiras. Junto na alma os encantos, dores, vida sensual, ingenuidades, fraqueza e forças da creança, da mulher, do homem. Como no apologo das varas, a intelligencia dos dois sexos, considerada em conjuncto, ultrapassa o valor das parcellas em desencontro.
A minha obra tem tambem a ingenuidade da creança, a acuidade da mulher, a razão do homem, sobretudo a uncção, a grandeza, o vago genial da alma collectiva. Sou a synthese. Excedo o super-homem, sou a essencia da propria humanidade, na comprehensão e realização transcendente do Espirito Universal, em Deus.
Sou a super-sensivel!
A minha bondade acceita, em pé de egualdade, o amor idealista de Santa Thereza de Jesus—a mystica, os impulsos bestiaes de Caligula e as ordens alucinadas de Nero, determinando-se em sensualidades, ou incendiando Roma, para mergulhar a alma sublimemente perversa nas labaredas duma civilização a arder.
O instincto é a primeira força. Depois ha a aspiração vaga, que nos faz caminhar para o Desconhecido.
Caminhêmos. Sigamos a mão distante que nos acena. Dêmos por tudo o que formos encontrando.
Chamam-nos visionaria! Que importa? Que tem sido a humanidade, senão visionaria!