E como é grande a creatura quando sonha! E como é bella a alma a viver sentimentos, a visionar!
O que é a Vida nua de chimera?!
São factos o proprio sonho, a chimera...
Creio na vida eterna pelo Amor. O Amor, fundiu em mim—Deus, Perversão, Desgraça...
O Bem e o Mal deram a figura que sou—um bronze de sentimento. Realizo o genio sensual da humanidade nevrosada e a vida suave de toda a Belleza humilde!
Sou Shakespeare e Bandarra:—tenho no peito o cachoar tragico da muita miseria e altanaria heroica, que o inglês referveu em dramas, que são a perpetuidade da Dor-genio; e, ao mesmo tempo, a simpleza ingenua da amargura, delida por uma quasi inconsciencia,—aquelle extranho sentir dos loucos que têem o sestro de viver alegres as suas e as tragedias dum povo, os bellos crimes, como as grandes melancholias duma raça!
Sinto a alma amarrotada, amarfanhada! Mas ha almas e almas. Ha-as que são como a estopa grossa que, quando sujeitas vincam traços grosseiros.
A minha alma, é como a seda e as moires luzentes: amarrotada, maltratada, tem cambiantes e vincos finos, dá traços curvos dum resplendor desmanchado, a esbaterem-se em sombreados duma belleza rara...
Tenho na alma a dor latente. O Acaso, fomenta-a por capricho.
Deitei-me a outra noite, triste, sem saber porque. Estava de mal commigo. Dormi pesadelos. Subito, levantei-me, abri a janella, e vi o roseiral escuro. Nem uma rosa a alumiar-me! Deus cortou relações commigo, pensei, angustiada. Cortou as relações com todos os homens, e por isso escureceu as flores, pintou-as côr do castigo, fê-las côr da fuligem.