E larva tenho sido. Mas larva a evoluir. A chrysallida que sonha asas. Sinto-as no auge da nevrose. Prendem á carcassa de linhas finas em que o Destino veiu pousar uma grande alma. Erguem a minha belleza amoral.
Esta Belleza é pouco e é tudo. Por ella subjuguei forças proprias e extranhas a um só fim:—sentir.
Toda a gente odeia a Morte. Porque?
Ella é o supremo bem. O que o vulgo toma por acabamento é passagem para o Além... Mas esta passagem sómente é consciente para os que na vida sentiram. Só elles podem avistar com os olhos da alma, áquem da passagem, o eterno da Vida que segue... Como se adquire esta acuidade?
Desconheço-o em parte.
Mas a atmosphera propria a que se manifeste está na ignorancia das leis do mundo, no desprezo da Vida.
O estado mais proximo da superioridade—é o estado sensual, porque é elle que superentende, domina a nevrose, dando o maximo de elasterio á sensibilidade:—é, afinal, a Arte latente, a Belleza no estado puro.
Como obtive o estado sensual? Dando-me ao infinito de sentidos que descubro áquem e para além de mim...
Que ninguem tente reprimir a sensibilidade. Entregue-se-lhe. Ha no povo inculto, como entre os superiores, grandes temperamentos deformados pelo Preconceito. São aquelles a quem o Acaso repartiu almas que são preciosissimos instrumentos, que elles desferem mal.
Foi a guerra movida á minha conducta que melhor acurou os meus vicios, suggeriu a defesa integra dos meus actos, e creou, parallelamente ao meu nihilismo de sentido, uma Philosophia que prende a uma Liberdade amoral que vae além da outra,—a que peja os Codigos, as Biblias...