Os inferiores desconhecem a grande parte da verdade eterna que o sonho contém, que ha, por vezes, na loucura profecias geniaes.

Parece que os loucos sonham, quando adormecidos, actos que a sociedade toma por feitos de juizo.

Depois ao acordarem abysmam-se do desapontoado dos sonhos...

Exactamente o inverso do que succede ao Vulgo. Este delira no somno os grandes feitos e delictos. Uns e outros relegam o que sonharam.

Ora o Artista, ou acorde na Obra uma aspiração do Vulgo, ou desvaire fóra do tempo e do espaço em que trabalha, é sempre a creatura que vive na Arte o sonho e sonha na Arte a Vida!

Do louco tem o desvairamento, que lhe distende a sensibilidade até á abnegação, o alheamento da conveniencia, a fatalidade do temperamento, agindo livre entre clarões e trevas. Sou a Artista-louca, perdida no cosmorama dos Paizes-Altos da Belleza. Não conheceis estes paizes! São aquelles que o meu genio doente aguarella e o Sentimento repinta e vive.

Deslumbro o entendimento na Fé sonhada—a nova Attica do Ocidente.

Valho o abraço de dois povos, que se estreitam e vivem as ultimas loucuras confundindo as almas!

Sou o Ocidente a alar-se.

Como a Grecia attingi o estado sensual. Deliro na ante-camara da Morte o sonho hellenico que vejo para além...