—Que tens feito? Estava a ver que tinhas ido só para Soutello.

E voltando-se para mim:

Era capaz disso. Não imagina a coragem desta rapariga. Sae ao lado dos Pamplonas, que não temiam coisa alguma.

—Não, minha mãe, disse com simplicidade Salomé, vinho do jardim. Está luar, o jardim é um encanto. Não imagina o effeito do luar sobre os cravos côr de enxofre. E as dahlias? Oh Peregrina, hasde dar-me dos teus craveiros, dahlias e aparas de roseira. O jardim de Soutello é tão pobre!

—Sim, Salomé, concedeu Peregrina, tudo o que ahi houver e te agrade. Pena tenho de não poder mandar-te o jardim em tabuleiros. O que ahi ha é obra do José Lourenço. Coitado! como sabe quanto gosto de flores, tem o maior cuidado nesse rendimento sagrado da quinta.

Mas, a falar verdade, desde que vim, mal attentei nos canteiros; tenho a impressão de que tambem as flores começam a ver-me mal.

Manda buscar o que quizeres.

—Sempre boa, observou a senhora de Soutello.

—Vou ver, interrompeu Salomé. Tenho ainda um pedido a fazer. Sabes qual é?

—Não sei, disse Peregrina, fitando-a.