Cada tronco de arvore é uma columna de Vida. Folhas são asas batendo Amor. Flores são tulipas, botões de luz... Luz de Carne!

Nem o luar de Granada empresta á noite uma luz como a das flores. É uma luz de opala com cambiantes suaves, luz que reflecte corpos, almas em sonho.

Ah! agora, sim! Já vejo, já palpo e goso as figuras que procurava,—as minhas creações!

Sinto o sussurro, a melodia gemente da transfusão do que fui no que vou ser, no que já sou...

O que ouço é como o murmurio brando de levadas. É Mozart a sonhar... São as Fontes.

Oh! figuras sagradas, esculpturas de nevoa, abraçae-me! Assim... Fundamo-nos!

Chovam sobre mim petalas de borboleta e asas de rosa. Fui na terra irmã das borboletas, parenta das rosas. Subam até mim columnas de incenso, o riso vermelho das creanças, as ondas de sensualidade innocente que encapellam a Terra.

A Artista vae morrer. Distingo o fim da Noite no começo do Dia...

Ahi vem a Madrugada. Abençoada seja a Noite, mãe da Madrugada! Bemdito o eterno Dia!

Aquellas rocadas de algodão, humidas de Ether, são as nuvens que ha pouco vi passar além, que tenho ali e posso apertar na minha mão.