Morro no outomno. O Destino quiz que fosse com as ultimas esperanças dos primeiros tuberculosos...

Tisicos, iremos todos! Quero ir cercada das vossas figuras brancas, puras da doença. Os atalhos hão de mandar flores a acompanhar-nos...

Oh! que lindo cortejo. Já as vejo, além, paramentadas! São papoilas-sangue, risos petalados de boas-idas.

Iremos já. Tenho ali a mascara que, embebida em Ether, ha de dar-me passagem para a grande Vida. Começo a viver a suprema Vida.

Não sou já a «Emparedada»; a sombra immensa que projecto rompeu de vez a espessura que me occultava do Deus latente em mim, do Deus que sou.

Que cega estava, que surda fui. Como a Terra, o Mar, tudo é differente!

O Mundo, oh que genial mentira! Como o distingo bem, de longe! Eu propria fui o que elle é—Confusão. O que avisto:—palacios de poderosos, columnados de gelo; choupanas de Luz; corações de tritão em peitos de sereia; fios de aranha alando a Terra; a Humildade a chorar sob doceis de granadas; a Humanidade em arestas á mercê do vento, a mergulhar nos pantanos; monstros a florirem amor; e tudo a morrer para viver, a viver para morrer!

Já converso as sereias, os tritões, as sombras dos Poetas. Phosphorescencias da agua—oh que mysterios de luz!

Quantos espiritos novos! São sátyros estrebuchando amores, na treva; são genios lendo á luz verde dos pyrilampos a vida dos pinheiraes; são levadas chorosas da virtude dos homens e da castidade infame das donzellas; é a onda a trabalhar o granito, a estatuar Belleza; é o vento a ramalhar orações, a petalar a agua, a orchestrar a gargalhadas o Hymno do Desprezo pelas leis da Terra; é a sombra de Wagner, sob o pallio verde-escuro dos laranjaes a apontar as notas altas dos rouxinoes para dar a ultima demão ao Hymno de Amor em que vae cantar o Infinito...

São moinhos a moerem bagos de oiro, de que os homens fazem o pão puro—rodas de moinho a beberem agua e a espadanarem leite, o leite que o ribeiro entorna pelas sementeiras e amamenta o linho, as papoilas, e os trigaes!