O pensamento fixo é partir, morrer.
Jámais alguem sentiu, viveu assim a Morte. Esta é a sua Elegia, o derradeiro e mais soffrido dos meus Poemas. É que sou eu em união hypostatica com o Divino Poeta.
Não obedece ás formas vulgares do verso. Tem as formas espraiadas da massa da agua em movimento. Resume a forma definitiva da Poesia. Nenhuma alma soffre medida. Menos podia soffrê-la a minha, immensa como o genio que a distende.
Eu não poderia contar as sensações intimas da minha tristeza. Quem pode contar as commoções da labareda? Como havia de sujeitar ao metro o infinito de melancholia que sinto agora e dar o espectro da transformação que está a passar-se em mim?
Vou morrer. Nem sinto a dor dos que vão desesperados e sem fé, nem a alegria dos que partem de vez á conquista doutros mundos. Sou a acropole do sentimento. Acceito a Morte como um bem. Vou provocá-la como successão logica duma Vida que só pode continuar-se depois da nova provação.
Esta provação era fatal... Exulto! Matar é transformar. Vou transformar-me. Quando voltar serei outra.
Saudades, levo-as das tristezas que vivi.
A tristeza, a nevoa de melancholia que enchem esta hora de partida, dão-me a nostalgia do mundo que fui, de muitas batalhas de dor, agora decididas.
A Dor tem o sestro dos maus filhos; aferra-se profundamente aos corações que tortura, e domina-os. Mas ha dores e dores!
Nas passadas vivo a Saudade, nas presentes a Morte! Abençôo a Morte que me conduz á nova Vida. E soffro e goso suavemente esta jornada que para tantos é maldita...