—Violet! Oh Violet!

Abriu-se a porta e, dentre o pano amarello, debruado a vermelho, amarfanhado, do reposteiro, surgiu a cabeça ingenua de Violet, que vinha saber o que queriam.

E Salomé, entre azougada e meiga:

—Vaes fazer-me um favor. Chamei-te porque deves saber onde veiu o violino; traze-o, sim?

Violet encarou Peregrina, e sahiu, apressada, a cumprir a ordem.

Quando ella chegou, Salomé pegou na caixa de ébano, uma especie de esquife de creança, abriu-a, com affectado cuidado, e passou o instrumento, com o arco, para as mãos da parenta, que recolheu tudo com um enleio que me fez pena. Depois levantou-se, e, voltando-se ainda uma vez para Salomé, como quem pede clemencia, perguntou:

—Tem então de ser?

A um signal della, começou serena a afinar o violino, mas, repentinamente, arrancou do arco e, quasi sem que o esperassemos, entornou em volta de si, naquella sala de geito nobre e antigo, uma harmonia tumultuosa, perturbadora.

Na sua pelle trigueira esparsavam-se reflexos da labareda que a ateava, notas dum misto macabro, melancholia, força selvagem, enthusiasmo, exotismo, aturdimentos de Arte...

A sua figura, duma belleza gasta, espectrava, numa côr e luz de magica, expressões visionarias.