—Será ás onze horas, disse elle, se V. Ex.as não mandarem o contrario.
—Havemos de estar antes, replicou D. Maria Helena.
Despedimo-nos.
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Levantei-me na manhã seguinte, eram dez horas, dando a volta ao terreiro a analysar a Casa, que vira mal quando cheguei.
Era um edificio Renascença, com janellas de curvas abatidas, recortadas em bisel, portaes baixos e largos, ornados de corda aberta em boa gran, cornijas de telhão vidrado, faixeando a casa, e um beirado, quasi rente, á volta.
O portal maior ostentava, por entre os desenhos da cimalha, o escudo de familia. Nos panos da frente e no que olhava para o ribeiro, appareciam asymetricos varios symbolos:—a cruz manuelina, espheras, caravelas, e o timbre heraldico dos senhores de Lares—um cysne segurando uma aspa bordada de castellos.
Internei-me pelo arvoredo, a rememorar o passado do velho senhorio, que governára em tempos muitas leguas em redor.
Á direita, era o jardim que, na vespera, tinha ouvido elogiar. Fui vê-lo de perto. Lá estavam os cravos, as dahlias-sangue, flores variadas de enxofre e carne.
Ao voltar-me dei com Maria Peregrina, que, na extrema, conversava com Salomé, sentadas ambas num banco de azulejo alto.