Só, de pernas colladas, braços levantados como segurando a cabeça esbelta, Maria lembrava um gomil precioso de olaria rica que um principe tivesse ido encher ao lago e ahi esquecesse.
Foi a ultima a entrar e a primeira a sahir. Deu volta ás duas tinas, arando a agua em sulcos dum desenho desmanchado e sahiu, mau grado os protestos das companheiras.
Um quarto de hora depois partiam todas para as cellas-barracas.
Helen ia a entrar para a sua, mas recuou, suppondo enganar-se. Estava occupada por Maria Peregrina que acudiu a chamá-la.
—É esta a tua barraca, informou, abraçando-a. Sahi mais cêdo do banho e vim para aqui para te enxugar com beijos.
—Olha que estou molhada, dizia Helen, achegando-se do lençol.
—Estás molhada? Não importa. Deixa morder o teu corpo velludoso de asclepia. Tenho sêde para te beber toda, dizia de olhos chammejantes, fremindo os labios pelo corpo branco-humido da inglesa.
E sorvendo-lhe as extremidades crestadas do peito:
—Sabes a historia destas lindas nodoas? Não sabes, minha tonta, vou contar-ta.
São dois peccados. Deus tinha apartado uma nuvem branca para fabricar petalas de magnolia. Sabes que não se pode tocar em taes flores; escurece-as um carinho.