—Que fazem? inquiriu o professor de natação, por entre os gritos e o espadanar da agua que sahiam daquelle lago.

Subito, os dois rapazes moveram-se como duas estatuas que resolvessem partir; levantaram as mãos em seta e mergulharam na primeira clareira.

A piscina era um lago de carne. Curioso espectaculo! Ephebos de jaspe, remando corpos desenvoltos... Eram os amantes aguerridos do heroe de Carthago; Apollo, Adonis, Ganymedes! Memorias tomando banho...

As piscinas destinadas ás alumnas eram abrigadas por uma casa ampla, repartida em cellas, com mobiliario e objectos ligeiros de toilette.

Havia duas tinas quadradas de dez metros e de diversa altura, para receber as alumnas, segundo o adeantamento em natação.

Abastecia-as de agua uma Esphinge de lavrado exotico:—cabeça de escocêsa, peito amplo montado em corpo de leão escanzelado, e tendo á laia de asas pennas ralas de milhafre. Era o monstro de Thebas peorado pelo canteiro inglês, vingando as victimas do Enigma.

Certo é que a filha de Typhão parecia ter resurgido do mar e, esquecida do aggravo de Œdipo, golphava da boca larga e mal talhada columnas de agua.

Á hora do curto dialogo de Edgar e Hugh desciam as raparigas ás piscinas.

Lestas, seguiram quasi ao mesmo tempo para o patim da tina alta. Entre Helen e Violet ia a portuguesa. A brancura das inglesas emprestava luz ao corpo de mel de Maria Peregrina, que sobresahia pela desenvoltura de linhas. Todas usavam um calção curto e camisolim decotado, justos. A malha de Peregrina era de seda morena, como o corpo que apertava. Não o escondia, sophismava-lhe a obrigação do vestuario, tornando-a mais bellamente nua.

No patim as três hesitaram; depois foram descendo. A ultima a entrar foi Peregrina que impelliu Helen, suavemente, pelas ancas; segurou, distrahida, o cabello farto, anelado e selvatico, e ficou-se a seguir com o olhar o corpo branco da companheira, a boiar na tina funda.