Assim viera do recreio dos jogos.

Maria Peregrina ajoelhou junto ao cadaver e metendo a mão pelo calção largo, pôs-se a afagar-lhe a coxa luzente. Depois flectiu-o, voltou-o, subiu-lhe a camisola até ao peito. Subito, deu com três cartas. Leu os endereços: uma era para ella! Lá estava na letra muito firme de Edgar, escripto o seu nome; as outras duas eram—uma para o director, outra para o pae, o sr. Buckley.

—Pobre Lord, exclamou, como hade ficar!...

Guardou a carta que lhe era destinada, e ficou a contemplar aquelle corpo, côr de tocha.

—Que bello, no seu ar de crepusculo! murmurou. Mas que rictus o da sua boca dolorosa!

E, de repente, como obedecendo a uma força intima, baixou-se mais, beijando-lhe a pelle de cera; cahiu sobre o cadaver, soergueu-lhe a cabeça, collou os labios á boca-lilaz do morto, e ficou por minutos como que adormecida sobre elle...

Depois levantou-se, examinando a mão e o braço com que o soerguera. Sentira na mão um liquido; era o sangue que borbulhára do ouvido direito do suicida.

Pousou outra vez na areia, a cabeça de Edgar. Foi lavar-se á Fonte; compôs o cadaver e ficou ainda uns minutos a contemplá-lo.

—Que lindo estás! disse-lhe, quasi ao ouvido; e como gostaste dos ultimos carinhos! Já não tens o rictus de ha pouco...

Leio as nossas pazes á luz roxa do teu sorrir de morto!