Passado tempo ia Maria Peregrina para junto da Fonte. Levava o violino para tentar um trecho de Wagner, em que Edgar tinha falado.
Momentos antes, dissera a Violet:
—Afinal, é sensibilizante a amargura do pobre rapaz, mas não posso soffrer o horror que me causa a perfeição daquelle systema de nervos tão bem ajustados a um corpo magnifico, e tudo ao serviço dum amor normal, duma animalidade de cavador!
De repente avistou a Fonte, e, a seguir, um corpo estendido a alguns palmos da vasa. Apressou o passo: era Edgar!
—Edgar! Edgar! chamou.
Nada...
Sacudiu-o, e o corpo abandonou-se-lhe. Maria Peregrina, recuou; pôs-se a examiná-lo: estava de bruços, com o ouvido direito collado á areia, o braço esquerdo ao longo do torso e o direito estendido para a frente, tendo na mão um revólver.
Percebeu então; estava morto:—suicidára-se.
—Pobre rapaz! disse a meia voz. Que lindo!...
Edgar vestia simplesmente:—camisola de sêda preta, calção de linho branco, e sapatos de camurça cinzenta, solados de borracha.