Era uma belleza especial—a que adstringia á raça, expressiva de falsa innocencia e suavidade.

Tratava de afogar os desgostos em sensações novas, e dahi andar pelas ruas onde excepcionaes figuras erravam como sombras, a commerciar toda a casta de prazeres. Mulheres duma brancura de linho, carnações de lirio e dahlia, de olhos anilados e estrigas de cabello oiro-fulvo, passavam bebadas nas esquinas, dispersando a alma em risos idiotas. Ia no seu encalço, interessada pela historia daquellas marafonas, que pareciam ter descido do Ceu por tentarem santos e que os homens desprezavam...

—Ah! o peccado da terra está em não aproveitar bem as creaturas, dizia. Estas, são as flores da rua, que valem bem mais do que as que se abrigam sob o crystal das melhores casas de Londres.

Colleccionava as mais perfeitas para uma especie de harem, onde passava em serão algumas noites, emmaranhando, tecendo a sua vida com a desgraça dellas.

Conhecia a geographia dos bairros mais mesquinhos da City, percorrendo-os a miudo, bem como os prostibulos onde se vendiam as mulheres de preço.

Ora arrastava toilettes da maior elegancia pelo Savoy, ora ia, modesta, irmã das sombras, conversar as mulheres que viviam os prazeres da noite, mais rasteiros e humildes.

De longe em longe, combinava com Violet e iam as duas pernoitar com moços de acaso.

Percebia que as relações naturaes lhe acalmavam os nervos.

Então, deixava-se abordar pelo mais novo dos presentes ás sucias da noite.

Guardava silencio sobre o nome. Preferia mesmo entregar-se a viajantes, que ao outro dia perdesse na confusão de Londres.