Foi neste tempo, nos ultimos três mêses que viveu em Italia, que urdiu o livro—A Emparedada, entre quedas bruscas do temperamento, dias de doença e horas de rememoração do drama de Petersfield e Londres.
Este livro era a expressão maxima dos seus talentos, pois que era a dor dum temperamento doente, consumindo-se numa ancia de Arte. E, como tal, realizou o maximo de sinceridade.
Era a Dor, traduzindo-se em melancholia e expressões imprevistas a beirarem a loucura, no encalço de soluções que derivava da tyrannia dos nervos, incendidos de desejo. O Poema foi escripto, composto e impresso rapidamente.
—Não quero que a razão me estrague a obra, dizia.
O seu valor, se algum tiver, deve ser o defeito que sou eu propria. Se me désse a scismar ácerca destes versos, emendava-os. Então o Poema não era eu, era toda a gente, a obra-synthese da Moral, da Arte, da Intelligencia que por ahi corre nas livrarias, academias, nos parlamentos, por toda a parte.
Ah! não, A Emparedada heide ser eu em conflicto com isso tudo.
A Nova Sapho ha de vingar-se da estupidez com que a tratam, librando-se acima da torpeza moral dos que a reputam abjecta...
E nervosamente, sempre que os maiores abatimentos lhe davam tregua, escrevia, desdobrando-se no drama das suas melancholias.
Em abril de 1910 estava a obra impressa e distribuida.