Na Grecia era tambem conhecida no meio academico pelo titulo do seu livro—Nova Sapho.
Em Portugal continuavam as mais exasperadas campanhas.
Impossibilitados de discutirem a obra no ponto de vista artistico, os jornalistas, a quem a critica estava affecta, davam-na como documento de autopsychologia, fundibulando grossarias sobre a mulher que tivera o ousio de escrever um livro, indice do mais torturado temperamento.
Ah! ella perdoava que lhe não sentissem a obra. Mas o que lhe doia era o odio que lhe votavam pelos vicios, que amava além de tudo.
—E nós a tentarmos obrigar o mundo a ver-nos com olhos differentes daquelles porque se vê a si proprio, commentava! Como se elle interpretasse a differença que fazemos em nosso favor! Emfim, heide ver se, ao menos, posso salvar o orgulho...
Estes e outros factos, denunciativos da fórma por que era tida nos meios conhecidos, fizeram que nos ultimos tempos em que viveu em Roma se esquivasse aos homens de letras e demais candidatos ás generosidades dos seus talentos, e de sua fortuna. Não queria relações; cansavam-na os empresarios de festas particulares ou publicas.
—Conheço, dizia a Violet, o bastante em cada cidade para me torturar sem prejuizo do amor-proprio.
Sei de cór a geographia do vicio e da moral de todas as terras onde tenho demorado quarenta e oito horas. Dispenso informadores. Que necessidade tenho de acotovelar-me com as más vontades dos paladinos das convenções, uns tôrpes a occultas que nem têem a grandeza do bem, nem a coragem do mal?
E, fiel ao programma, firmava-se no orgulho das fraquezas, tratando de alto os que se lhe abeiravam e fugindo a conviver.