Reproduzia um adolescente das mais bellas formas, corpo idealmente flexuoso, talhado em linhas suaves, duma musculatura branda, dum boleio irreprehensivelmente plastico.

Mas na sua physionomia, como talhada em sombra, havia uma tal expressão de dor que o bronze parecia ter fixado ali a alma do artista que lha vazara.

Lembrava a estatua de Hermes, de Praxiteles, numa atitude nova de horror e desespero. Era uma figura de expiação!

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Nuno passou aturdido pelas suggestões daquella estatueta á segunda sala—a da pintura.

Os demais objectos de estatuaria eram inferiorissimos:—bustos mal acabados, atitudes mal surprehendidas, assumptos quasi idiotas.

Na sala de pintura esperava-o nova surpresa.

Havia a considerar as figuras que eram pessimas e as paisagens, bellas, sem discrepancia.

—Que extraordinario artista! dizia Nuno comsigo: tão desegual!

E passando mentalmente as figuras que tinha extremado: