—Está além, vou chamá-lo, informou o empregado, dirigindo-se a um compartimento da extrema.

Pouco depois appareceram os dois:—Ruy Augusto, seguido do empregado.

Nuno de Villar teve um movimento de surpresa.

O apparecimento do esculptor foi uma revelação. As figuras apartadas eram variantes dum modelo, que era o proprio Artista.

Elle dirigiu-se a Nuno com passo hesitante, flectindo-se, desordenadamente, num enleio de creança. Nuno attentou-o com curiosidade.

Era uma figura pequena, duma gentileza effeminada, moreno, olhos verdes; abria os labios grossos num sorriso triste, e tinha o cabello em ondas negras e compridas.

Quando Nuno de Villar deu a razão de o ter procurado, elle, confuso, numa grande perturbação, declarou-se muito honrado com a visita de tão grande artista á sua obra, e pelas acquisições feitas; pediu-lhe para que deixasse estar no salão os trabalhos comprados, durante alguns dias, e recusou-se a receber logo o preço.

Nuno, cada vez mais interessado, ficou a conversar.

Ruy, parco de palavras, flectia-se em gestos de attenção, sorrindo aos elogios do interlocutor.

Quando, porém, Nuno lhe observou as desegualdades, a expressão branda dos seus olhos de esmeralda transformou-se.