—Não, disse Nuno. Os dois trabalhos completam a artista. Mas esta obra accusa tranquilidade. Parece equivaler a uma quadra feliz da escriptora. Presente-se ali um fio, embora tenue, de amor a dirigir o poema.

É a belleza harmonica, com apoio numa razão intima da vida.

A Emparedada é um poema superior. É talvez a sombra daquella paixão, projectada pelo talento. A auctora viveu nelle desesperos e melancholias. E, como nada disto soffre razões, o poema attingiu o Genio, que, fundamentalmente, é o talento transpondo a primeira zona da loucura.

—Será verdadeiro, Conde, perguntou Ruy, o romance que por ahi corre a respeito da auctora?!...

—Julgo que não, disse Nevogilde; corre um romance inferior ao seu talento. Mas creio, absolutamente, que tenha raiz na moral nova que apostoliza.

—É que só a noticia da chegada della surprehendeu a curiosidade de Lisboa. E, a partir dahi, não ha dia em que não corra um episodio novo a seu respeito.

—Pouco sei della, concluiu Nuno de Villar. No entanto, interessa-me bastante tudo que lhe respeita pois que mulher e auctora parecem fundir-se nas obras.

Tenciono ir agradecer-lhe o livro. Veremos se tratada irá desmentir-me impressões.

—Tenho pena de não estar em S. Carlos quando lá foi. Soube que appareceu hontem, disse o pintor.

—Vê-la-á mais tarde, se nos auctorizar a visitá-la.