—Ah! disse o Vagabundo, enleado, nem me faltava mais nada. Tenho boa disposição e presença para apparecer no palacete do Alecrim, por entre as maltas de tom...

—Engana-se Ruy. O nome que lhe advem do talento, e encanto da sua figura, como as immunidades de artista, fazem que todos o recebam bem.

E, se lá fôr, vae para conversar a mulher excepcional. Que vale o resto?

Ruy levantou-se e foi ler perto as horas dum relogio-Imperio que sobre o fogão pulsava o tempo.

—É tarde, disse, vou deixá-lo. O Conde dá-me licença...

—Dou, disse Nevogilde, mas espero-o para jantar. Appareça. Não esqueça a recommendação sobre a estatueta. Mande mudar o pertence.

[IX]

Havia mêses que a Artista se installára em Lisboa, num palacete da rua do Alecrim. Não lhe foi indifferente aos nervos a curta estada no Minho; socegou. Mas o Minho deu-lhe todos os attractivos em pouco tempo; cansou-a a serenidade.

Estava grata á pobre terra que lhe dera um arremêdo da antiga felicidade na companhia da prima, a Salomé, ingenuamente linda, condescendente.

Mas o Minho pareceu-lhe pequeno para theatro das novas aventuras, que lhe traziam, sem enthusiasmo, um bem-estar, que não sentia ha muito.