*Jorge*, para Magdalena, baixo. Sabeis que mais? Tenho medo d'esta criança.
*Magdalena*, do mesmo modo. Tambem eu.
*Jorge*, alto. Mas emfim, resolveram sahir: e sabereis mais que, para côrte e «buen-retiro» dos nossos cinco reis, os senhores governadores de Portugal por D. Filippe de Castella que Deus guarde, foi escolhida ésta nossa boa villa d'Almada, que o deveu á fama de suas aguas sadias, ares lavados e graciosa vista.
*Magdalena*. Deixá-los vir.
*Jorge*. Assim é: que remedio! Mas ouvi o resto. O nosso pobre convento de San'Paulo tem de hospedar o senhor arcebispo D. Miguel de Castro, presidente do govêrno.—Bom prelado é elle; e, se não fosse que nos tira do humilde socêgo de nossa vida, por vir como senhor e principe secular… o mais, paciencia. Peior é o vosso caso…
*Magdalena*. O meu!
*Jorge*. O vosso e de Manuel de Sousa: porque os outros quatro governadores—e aqui está o que me mandaram dizer em muito segrêdo de Lisboa—dizem que querem vir para ésta casa, e pôr aqui aposentadoria.
*Maria*, com vivacidade. Fechâmos-lhes as portas. Mettêmos a nossa gente dentro—o terço de meu pae tem mais de seiscentos homens—e defendêmo'-nos. Pois não é uma tyrannia?…—E hade ser bonito!… Tomára eu ver seja o que for que se pareça com uma batalha!
*Jorge*. Louquinha!
*Magdalena*. Mas que mal fizemos nós ao conde de Sabugal e aos outros governadores, para nos fazerem esse desacato? Não ha por ahi outras casas; e elles não sabem que n'esta ha senhoras, uma familia… e que estou eu aqui?…