(Maria beija-lhe o escapulario e depois a mão; Magdalena somente o escapulario.)

*Magdalena*. Sejaes bem vindo, meu irmão!

*Maria*. Boas tardes, tio Jorge!

*Jorge*. Minha senhora mana!—A bençam de Deus te cubra, filha!—Tambem estou desassocegado como vós, mana Magdalena: mas não vos afflijaes, espero que não hade ser nada.—É certo que tive umas notícias de Lisboa…

*Magdalena*, assustada. Pois que é, que foi?

*Jorge*. Nada, não vos assusteis; mas é bom que estejaes prevenida, por isso vo-lo digo. Os governadores querem sair da cidade… é um capricho verdadeiro… Depois de aturarem mettidos alli dentro toda a fôrça da peste, agora que ella está, se póde dizer, acabada, que são rarissimos os casos, é que por fôrça querem mudar de ares.

*Magdalena*. Pois coitados!…

*Maria*. Coitado do povo!—Que mais valem as vidas d'elles? Em pestes e desgraças assim, eu intendia, se governásse, que o serviço de Deus e do rei me mandava ficar, até á última, onde a miseria fosse mais e o perigo maior, para attender com remedio e amparo aos necessitados.—Pois, rei não quer dizer pae commum de todos?

*Jorge*. A minha donzella Theodora!—Assim é, filha; mas o mundo é d'outro modo: que lhe faremos?

*Maria*. Emendá-lo.