*Manuel*. Qual, senhora, e que lhe heide eu fazer? Lembrae vós, vêde se achaes.

*Magdalena*. Aquella casa… eu não tenho ânimo… Olhae: eu preciso de fallar a sos comvosco.—Frei Jorge, ide com Maria ahi para dentro; tenho que dizer a vosso irmão.

*Maria*. Tio, venha, quero ver se me accommodam os meus livrinhos; (confidencialmente) e os meus papeis, que eu tambem tenho papeis: deixae que lá na outra casa vos heide mostrar… Mas segrêdo?

*Jorge*. Tontinha!

SCENA VIII

MANUEL DE SOUSA, MAGDALENA

*Manuel*. passeia agitado de um lado para o outro da scena, com as mãos cruzadas detrás das costas, e parando derepente: Hade saber-se no mundo que ainda ha um portuguez em Portugal.

*Magdalena*. Que tens tu, dize, que tens tu?

*Manuel*. Tenho que não heide soffrer ésta affronta… e que é preciso sahir d'esta casa, senhora.

*Magdalena*. Pois sahiremos, sim: eu nunca me oppuz ao teu querer, nunca soube que coisa era ter outra vontade differente da tua; estou prompta a obedecer-te sempre, cegamente, em tudo. Mas, oh! espôso da minha alma… para aquella casa não, não me leves para aquella casa. (Deitando-lhe os braços ao pescoço.)