MANUEL DE SOUSA, MAGDALENA, TELMO, MIRANDA e os outros criados; JORGE e
MARIA entrando.

*Manuel*. Jorge, acompanha éstas damas. Telmo, ide, ide com ellas.—(Para os outros criados) Partiu ja tudo, as arcas, os meus cavallos, armas e tudo o mais?

*Miranda*. Quasi tudo foi ja; o pouco que falta está prompto e sahirá n'um instante… pela porta detrás, se quereis.

*Manuel*. Bom; que sáia. (A um signal de Miranda sahem dois criados.) Magdalena, Maria, não vos quero ver aqui mais. Ja, ide; serei comvosco em pouco tempo.

SCENA XI

MANUEL DE SOUSA, MIRANDA e os outros criados.

*Manuel*. Meu pae morreu desastrosamente cahindo sôbre a sua propria espada; quem sabe se eu morrerei nas chammas ateadas por minhas mãos? Seja. Mas fique-se aprendendo em Portugal como um homem de honra e coração, por mais poderosa que seja a tyrannia, sempre lhe póde resistir, em perdendo o amor a coisas tam vis e precarias como são esses haveres que duas faiscas destroem n'um momento… como é ésta vida miseravel que um sôpro póde apagar em menos tempo ainda! (Arrebata duas tochas das mãos dos criados, corre á porta da esquerda, atira com uma para dentro: e ve-se atear logo uma lavareda immensa. Vai ao fundo, atira a outra tocha; e succede o mesmo. Ouve-se alarido de fóra.)

SCENA XII

MANUEL-DE-SOUSA e criados: MAGDALENA, MARIA, TELMO E JORGE accudindo.

*Magdalena*. Que fazes?… que fizeste?—Que é isto, oh meu Deus!