*Maria*. Desde hontem está outra…
*Manuel*, em acção de partir. Vamos a vê-la.
*Maria*, retendo-o. Não, que dorme ainda.
*Manuel*. Dorme? Oh, então melhor.—Sentêmo'-nos aqui filha, e conversêmos. (Toma-lhe as mãos; sentam-se) Tens as mãos tam quentes! (Beija-a na testa) E ésta testa, ésta testa!… escalda.—Se isto está sempre a ferver! Valha-te Deus, Maria! Eu não quero que tu penses.
*Maria*. Então que heide eu fazer?
*Manuel*. Folgar, rir, brincar, tanger na harpa, correr nos campos, apanhar as flores…—E Telmo que te não conte mais histórias, que te não insine mais trovas e soláos. Poetas e trovadores padecem todos da cabeça… e é um mal que se péga.
*Maria*. Então para que fazeis vós como elles?… eu bem sei que fazeis.
*Manuel*, surrindo. Se tu sabes tudo! Maria, minha Maria. (Amimando-a) Mas não sabías ainda agora de quem era aquelle retratto…
*Maria*. Sabía.
*Manuel*. Ah! você sabía e estava fingindo?