(Maria olha para Telmo, como quem comprehendeu, depois torna a fixar a vista no retratto; e ambos ficam deante d'elle como fascinados. No entretanto e ás últimas palavras de Maria, um homem imbuçado com o chapeu sôbre os olhos levanta o reposteiro da direita e vem, pé ante pé, approximando-se dos dois que o não sentem.)

SCENA II

MARIA, TELMO e MANUEL DE SOUSA

*Manuel*. Aquelle era D. João de Portugal, um honrado fidalgo, e um valente cavalleiro.

*Maria*, respondendo sem observar quem lhe falla. Bem m'o dizia o coração!

*Manuel*, desimbuçando-se e tirando o chapeu com muito affecto. Que te dizia o coração, minha filha?

*Maria*, reconhecendo-o. Oh meu pae, meu querido pae! ja me não diz mais nada o coração senão isto. (Lânça-se-lhe nos braços e beija-o na face muitas vezes.)—Ainda bem que viestes.—Mas de dia!… não tendes receio, não ha perigo ja?

*Manuel*. Perigo, pouco. Hontem á noite não pude vir; e hoje não tive paciencia para aguardar todo o dia: vim bem coberto com ésta capa…

*Telmo*. Não ha perigo nenhum, meu senhor; podeis estar á vontade e sem receio. Ésta madrugada muito cedo estive no convento, e sei pelo senhor Frei Jorge que está, se póde dizer, tudo concluido.

*Manuel*. Pois ainda bem, Maria. E tua mãe, tua mãe, filha?