MARIA, MANUEL DE SOUSA, JORGE; MAGDALENA entrando
*Magdalena*, correndo a abraçar Manuel de Sousa. Estou boa ja, não tenho nada, espôso da minha alma, todo o meu mal era susto; era terror de te perder.
*Manuel*. Querida Magdalena!
*Magdalena*. Agora estou boa: Telmo ja me disse tudo, e curou-me com a boa nova.—Maria, Deus lembrou-se de nós: ouviu as tuas orações, filha, que as minhas… (Vai a recahir na sua tristeza.)
*Jorge*. Ora pois, mana, ora pois!… Louvado seja Elle por tudo. E haja alegria! Que era sermos desagradecidos para com o Senhor, que nos valeu, mostrar-se hoje alguem triste n'esta casa.
*Magdalena*, fazendo por se alegrar. Triste porquê? As tristezas acabaram. (Para Manuel de Sousa) Tu ficas aqui ja de vez. Não me deixas mais, não sais d'aopé de mim?—Agora, olha, estes primeiros dias ao menos, hasde-me aturar, hasde-me fazer companhia. Preciso muito, querido.
*Manuel*. Pois sim, Magdalena, sim; farei quanto quizeres.
*Magdalena*. É que eu estou boa… boa de todo; mas tenho uma…
*Manuel*. Uma imaginação que te atormenta. Havemos de castigá-la, ainda que não seja senão para dar exemplo a certa donzella que nos está ouvindo e que precisa… precisa muito.—Pois olha: hoje é sexta-feira…
*Magdalena*. Sexta-feira! (aterrada) ai que é sexta-feira!