*Manuel*. Sim: e não posso deixar de ir. Sabes que por fins d'esta minha pendencia com os governadores, eu fiquei em dívida—quem sabe se da vida? Miguel de Moura e esses meus degenerados parentes eram capazes de tudo!—Mas o certo é que fiquei em muita dívida ao arcebispo. Elle volta hoje aqui para o convento; e meu irmão, que vai com outros religiosos para o acompanharem, intende que eu tambem devo ir. Bem ves que não ha remedio.

*Magdalena*. Logo hoje!… Este dia de hoje é o peior… se fosse ámanhan, se fosse passado hoje!… E quando estarás de volta?

*Jorge*. Estamos aqui sem falta á bôcca da noite.

*Magdalena*, fazendo por se resignar. Paciencia: ao menos valha-nos isso. Não me deixam aqui so outra noite… ésta noite, particularmente, não fico so…

*Manuel*. Não, socega, não; estou aqui ao anoitecer. E nunca mais saio d'aopé de ti. E não serão quinze dias; vinte, os que tu quizeres.

*Maria*. Então vou, meu pae, vou?—Minha mãe dá licença, dá?

*Magdalena*. Vais aonde, filha? que dizes tu?

*Maria*. Com meu pae que tem de ir ao Sacramento, de caminho.—E bem sabeis, querida mãe, o que eu ando ha tanto tempo para ir áquelle convento para conhecer a tia D. Joanna…

*Jorge*. Soror Joanna: assim é que se chama agora.

*Maria*. É verdade. E andam-me a prometter, ha um anno, que me hãode levar lá… D'esta vez hãode-m'o cumprir… não é assim, minha mãe? (acarinhando-a) minha querida mãesinha!—Sim, sim, dizei ja que sim.