*Magdalena*, abraçada com a filha. Oh Maria, Maria… tambem tu me queres deixar!—tambem tu me desamparas… e hoje!
*Maria*. Venho logo, minha mãe, venho logo.—Olhae: e não tenhaes
cuidado commigo: vai meu pae, vai o tio Jorge,—levo a minha aia, a
Dorothea… E, é verdade, o meu fiel escudeiro hade ir tambem, o meu
Telmo.
*Magdalena*. E tua mãe, filha, deixa-la aqui so, a morrer de tristeza? (áparte) e de medo!
*Manuel*. Tua mãe tem razão: não hade ser assim, hoje não póde ser. (Maria fica triste e desconsolada.)
*Jorge*.—Ora pois; eu ja disse que não queria ver hoje ninguem triste n'esta casa.—Venha ca a minha donzella dolorida, (pegando-lhe pela mão) e faça aqui muitas festas ao tio frade, que eu fico a fazer companhia a sua mãe. E vá, vá satisfazer essa louvavel curiosidade que tem de ir ver aquella sancta freirinha que tanto deixou para deixar o mundo e se ir interrar n'um claustro. Vá, e venha… melhor de coração, não póde ser—que tu es boa como as que são boas, minha Maria—Mas quero-te mais fria de cabeça: ouves?
*Maria*, áparte. Fria!… quando ella estiver ôca!—(Alto) Vou-me apromptar, minha mãe?
*Magdalena*, sem vontade. Se teu pae quer…
*Manuel*. Dou licença: vai. (Maria sái a correr.)