*Magdalena*. Pois sim… (suspira) Eu era uma criança; pouco maior era que Maria.

*Telmo*. Não, a senhora D. Maria ja é mais alta.

*Magdalena*. É verdade, tem crescido de mais, e derepente n'estes dois mezes ultimos…

*Telmo*. Então! Tem treze annos feitos, é quasi uma senhora, está uma senhora… (áparte) Uma senhora aquella… pobre menina!

*Magdalena*, com as lagrymas nos olhos. Es muito amigo d'ella, Telmo?

*Telmo*. Se sou! Um anjo como aquelle… uma viveza, um espirito!… e então que coração!

*Magdalena*. Filha da minha alma! (pausa:—mudando de tom) Mas olha, meu Telmo, tórno a dizer-t'o: eu não sei como heide fazer para te dar conselhos. Conheci-te de tam criança, de quando casei a… a… a primeira vez—costumei-me a olhar para ti com tal respeito: ja então eras o que hoje es, o escudeiro valido, o familiar quasi parente, o amigo velho e provado de teus amos.

*Telmo*, internecido. Não digaes mais, senhora, não me lembreis de tudo o que eu era.

*Magdalena*, quasi offendida. Porquê? não es hoje o mesmo, ou mais ainda, se é possivel? Quitaram-te alguma coisa da confiança, do respeito—do amor e carinho a que estava costumado o aio fiel de meu senhor D. João de Portugal, que Deus tenha em glória?

*Telmo*, áparte. Terá…