*Romeiro*. Mas o juramento que dei foi que, antes de um anno cumprido, estaria deante de vós e vos diria da parte de quem me mandou…
*Magdalena*, aterrada. E quem vos mandou, homem?
*Romeiro*. Um homem foi,—e um honrado homem… a quem unicamente devi a liberdade… a ninguem mais. Jurei fazer-lhe a vontade, e vim.
*Magdalena*. Como se chama?
*Romeiro*. O seu nome nem o da sua gente nunca o disse a ninguem no captiveiro.
*Magdalena*. Mas emfim, dizei vós…
*Romeiro*. As suas palavras, trago-as escriptas no coração com as lagrymas de sangue que lhe vi chorar, que muitas vezes me cahiram n'estas mãos, que me correram por éstas faces. Ninguem o consolava senão eu… e Deus! Vêde se me esqueceriam as suas palavras.
*Jorge*. Homem, acabae.
*Romeiro*. Agora acabo; soffrei, que elle tambem soffreu muito.—Aqui estão as suas palavras: «Ide a D. Magdalena de Vilhena, e dizei-lhe que um homem que muito bem lhe quiz… aqui está vivo… por seu mal… e d'aqui não pôde sahir nem mandar-lhe novas suas de ha vinte annos que o trouxeram captivo.»
*Magdalena*, na maior anciedade. Deus tenha misericordia de mim!—E esse homem, esse homem… Jesus! esse homem era… esse homem tinha sido… levaram-n'o ahi de donde!… de Africa?