*Telmo*. Sois injusto.

*Romeiro*. Bem sei o que queres dizer.—E é verdade isso? é verdade que por toda a parte me procuraram, que por toda a parte… ella mandou mensageiros, dinheiro?

*Telmo*. Como é certo estar Deus no ceu, como é verdade ser aquella a mais honrada e virtuosa dama que tem Portugal.

*Romeiro*. Basta: vai dizer-lhe que o peregrino era um impostor, que desappareceu, que ninguem mais houve novas d'elle; que tudo isto foi vil e grosseiro imbuste dos inimigos de… dos inimigos d'esse homem-que ella ama… E que socegue, que seja feliz.—Telmo, adeus!

*Telmo*. E eu heide mentir, senhor, eu heide renegar de vós, como ruim villão que não sou?

*Romeiro*. Hasde, porque eu te mando.

*Telmo*, em grande anciedade. Senhor, senhor, não tenteis a fidelidade do vosso servo. É que vós não sabeis… D. João, meu senhor, meu amo, meu filho, vós não sabeis…

*Romeiro*. O quê?

*Telmo*. Que ha aqui um anjo… uma outra filha minha, senhor, que eu também criei…

*Romeiro*. E a quem já queres mais que a mim: dize a verdade.